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publicado em 28/08/2020 às 18h03min

Grávida que estava desaparecida é encontrada morta e sem o bebê, diz polícia

Mulher foi localizada nesta sexta-feira em Canelinha, na Grande Florianópolis. Recém-nascida foi levada com ferimentos para o hospital, segundo delegado.
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G1

Foto: Redes sociais
O corpo de uma mulher foi encontrado na manhã desta sexta-feira (28) em uma cerâmica desativada em Canelinha, na Grande Florianópolis. Segundo a Polícia Civil, ela estava grávida, foi morta a tijoladas e tinha cortes na barriga provocados por estilete. A suspeita é que uma amiga da vítima tenha feito uma emboscada para cometer o assassinato e ficar com a recém-nascida. Ferida, a bebê foi levada a um hospital pela mulher e o marido da suspeita. Ambos foram presos.

O delegado Paulo Alexandre Freisleben da Silva disse que a mulher confessou o crime e que ele foi premeditado. Ele informou que não iria divulgar o nome da mulher e do marido por causa da Lei de Abuso de Autoridade. Até as 16h, nenhum advogado havia se apresentado para fazer a defesa dela.

A bebê foi internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Segundo uma amiga da vítima informou ao G1 SC, o nascimento da menina estava previsto para 22 de setembro.

Polícia encontrou o corpo da mulher em cerâmica desativada  — Foto: Lucas Eccel/Rádio Clube fm 88.5

Polícia encontrou o corpo da mulher em cerâmica desativada — Foto: Lucas Eccel/Rádio Clube fm 88.5

Como aconteceu o crime

A vítima estava desaparecida desde a tarde de quinta-feira (27). Segundo o delegado Paulo Freisleben da Silva, ela teria sido levada até o local do crime por uma amiga.

"Ela [suspeita] disse engravidou em outubro do ano passado e perdeu esse bebê em janeiro, mas não comunicou aos familiares, inclusive nem teria falado para o marido, que estaria muito empolgado com a gravidez dela. Ela manteve a alegação da gravidez e neste período começou a cogitar o homicídio da vítima em razão da coincidências de prazos da gestação. Ontem [quinta] ela disse pra vítima que iria fazer um chá de bebê e convidou a vítima para participar", explicou Silva.

No entanto, a amiga acabou levando a vítima até a cerâmica desativada, afirmando que seria um ponto de encontro com outros convidados. No local, ela atingiu a vítima com tijoladas na cabeça. "Depois, com um estilete fez o corte na barriga para tirar o bebê do ventre da mãe. A ideia dela era matar a mulher e ficar com a criança", disse o delegado.

O estilete foi encontrado no local do crime. O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) em Balneário Camboriú, no Litoral Norte. Ainda não há previsão do laudo com as causas da morte, de acordo com o órgão.

"Ela [suspeita] é extremamente fria, em momento algum ela demonstrou algum tipo de arrependimento ou algum tipo de culpa em relação a toda a situação", afirmou o delegado.

Corpo de mulher grávida que estava desaparecida foi localizado em Canelinha — Foto: Lucas Eccel/Rádio Clube fm 88.5

Internações da suspeita e da bebê

O delegado explica que depois do crime, a suspeita teria enviado mensagens por volta das 17h de quinta para profissionais da área da saúde simulando o próprio parto em via pública. Ela também citou ao delegado que teria recebido ajuda de populares para conseguir chegar até o condomínio onde reside.

Ainda de acordo delegado, a suspeita junto com o marido foi ao Hospital e Maternidade Maria Sartori Bastiani, em Canelinha, onde voltou a dizer que havia tido um parto e levou o recém-nascido. Na unidade de saúde, a Polícia Militar foi acionada pela equipe médica, por volta das 21h, por uma suspeita de lesão corporal contra uma criança.

"Foi constatado o fato que ela [recém-nascida] tinha cortes profundos provocados por um objeto cortante. Diante da informação, não havendo outros indícios do cometimento de um homicídio, apenas a lesão corporal, lavrou um boletim de ocorrência e seguiu as atividades normais", disse o tenente-coronel da Polícia Militar Daniel Nunes.

Nunes explica que chegou até a suspeita após a PM receber a informação de que havia uma grávida desaparecida e que a última pessoa que ela teve contato seria a amiga supostamente gestante, que teria chegado até o hospital para ser atendida.

"Voltamos ao hospital e fazendo todo o contato e uma nova entrevista com a suposta parturiente, a qual confessou que tinha cometido o homicídio para subtrair a criança da vítima [...] se trata de um crime premeditado para a subtração de um bebê", disse.

O delegado explica que durante o primeiro atendimento da mulher, a equipe identificou que ela não tinha indícios "de ter feito um parto recente". A unidade de saúde não informou mais detalhes do caso, mas disse que médicos e funcionários vão prestar depoimentos durante esta tarde em Tijucas.

A criança foi encaminhada para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. O delegado afirmou que foi o marido da suspeita foi preso quando foi retirada a criança. A Secretaria de Saúde Estadual informou que recebeu a paciente e não está autorizada a divulgar outras informações.

Ainda de acordo com o delegado, o casal foi autuado em flagrante por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e lesão corporal gravíssima na criança.

Nos próximos dias, a Polícia Civil vai fazer diligências complementares para verificar se houve participação de outras pessoas no crime.

Desaparecimento

A vítima estava grávida de 38 semanas e era diabética, informou a Prefeitura de Canelinha. Ela é pedagoga e já trabalhou como professora temporária. Neste ano, ela estava trabalhando em uma loja. Por estar no grupo de risco do coronavírus, estava afastada do trabalho presencial.

Na quinta-feira (27), ela saiu de casa a pé para ir em a chá de bebê surpresa, segundo Jeisiane Benevenute, amiga da vítima desde a infância e escolhida para ser madrinha da bebê junto com outro casal.

Sem ter notícias da amiga até a noite de quinta, Jeisiane e a família fizeram postagens em redes sociais informando o desaparecimento. Pela manhã, amigos e familiares souberam que o corpo foi encontrado.

"A família viu ela morta. Agora me acalmei, mas hoje de manhã quando eu soube da morte, desabei", disse.

Cerâmica desativada em Canelinha onde foi encontrado o corpo de mulher grávida — Foto: Polícia Civil/ Divulgação

Cerâmica desativada em Canelinha onde foi encontrado o corpo de mulher grávida — Foto: Polícia Civil/ Divulgação

Morta a tijoladas Bebê roubado

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